Contra o governo de extrema direita, construir a resistência na APG UFSC

A APG-UFSC, entidade representativa de estudantes de pós-graduação em todos os campi, passou recentemente por processo eleitoral, elegendo a chapa única “Pra não lutar só”. Nós, da Coletiva Centospé, participamos do processo de construção da chapa, que se propõe a dar continuidade às atividades e ações da gestão anterior, “Quem tem coragem” (2017-2018), e buscamos neste texto trazer considerações sobre as lutas da pós-graduação no último ano e a importância de seguir construindo esta entidade a partir de agora.

No período do último ano, estudantes de pós-graduação na UFSC demonstraram uma capacidade de mobilização sem precedentes no passado recente. Com participação central da APG, vimos a organização de diferentes campanhas e mobilizações: defendendo e avançando na implementação de ações afirmativas em todos os Programas da Pós-Graduação para estudantes negras e negros, indígenas e com deficiências; organizando uma grande assembleia e atividades contra a ameaça de cortes de bolsas CAPES; ajudando a construir o I Fórum de Saúde Mental da Comunidade UFSC; lutando pela democratização do processo eleitoral da Reitoria; pressionando a direção privatista da FAPESC em defesa do investimento em educação, ciência e tecnologia públicas; e puxando uma campanha nacional em defesa da Petrobrás.

Além disso, com sua participação nas instâncias deliberativas da Universidade (tais como o Conselho Universitário, a Câmara de Pós-Graduação e o Conselho de Curadores), lutou contra a cobrança de multas em caso de atraso na entrega de teses e dissertações; e para que a Reitoria se posicionasse institucionalmente contra os cortes de bolsas, contra a Emenda Constitucional 95, contra as cobranças na pós-graduação lato sensu e em defesa das ações afirmativas em toda a pós-graduação. Por fim, a mobilização da pós e a APG estiveram também em articulação com as lutas sociais fora da Universidade, repudiando o projeto de lei aprovado em Florianópolis que permite a contratação de Organizações Sociais (OS) para a gestão de serviços de saúde e educação e somando nos atos de rua da categoria.

Acreditamos que isso não surge por acaso, mas como necessidade e reflexo do momento que vivemos. Em 2018, a conjuntura política local e nacional revelou um fortalecimento do autoritarismo e uma alavancada dos projetos neoliberais, preparando o terreno para o ano que vem. Recentemente, soubemos que o Ministério da Fazenda fez um levantamento de receita que poderia ser arrecadada com a cobranças nas Universidades Federais; que o próximo Ministro da Educação defende a ditadura civil-militar e a Lei da Mordaça (ideologicamente chamada por seus defensores de Escola Sem Partido), além de ter questionado a democratização do ensino superior; e que o futuro Ministro da Casa Civil defende que o MEC repasse menos dinheiro para o ensino superior, coisa que já vem ocorrendo progressivamente desde 2014. Ou seja, vivemos uma ofensiva violenta que tentar instituir a cobrança no ensino superior, começando pela pós-graduação, ao mesmo tempo em que realiza uma asfixia financeira nas instituições públicas, que correm riscos de fechar portas ou ser privatizadas, enquanto toda iniciativa de formação crítica ou vinculada aos movimentos sociais e demandas populares será perseguida.

Portanto, quem tem que resistir somos nós, por meio da organização estudantil em sintonia com outras lutas sociais. E é por isso que nos colocamos novamente junto com demais estudantes para construir uma nova gestão da APG, valorizando sempre a autogestão e a construção pela base, numa perspectiva antiautoritária, anticapitalista e contrária a qualquer forma de opressão.

Em 2018 ficou evidente, por meio de censura a manifestações antifascistas nas universidades, que a repressão não precisa mais de tanta dissimulação, e o ano de 2019 não promete mais diplomacia. Além de manter vivas e cada vez mais fortes as lutas realizadas no último ano, outras questões importantes deverão ser enfrentadas pela nova gestão da APG, como o aumento da presença da extrema-direita, das polícias e da perseguição política nos espaços universitários. São debates que permeiam todo o cenário nacional e que precisam ser pautados e enfrentados também no ambiente estudantil.

Dada a realidade de que a maioria dos programas não possuem assembleias estudantis regulares nem uma prática de mobilização, a APG tem servido como um ponto de apoio, encontro, mobilização e acúmulo de forças para as necessárias lutas na pós-gradução da UFSC, em diferentes programas e Centros. Convidamos as pós-graduandas e pós-graduandos da UFSC para ajudar a construir e fortalecer tanto a mobilização em seus programas quanto na APG, que vem se construindo como uma entidade aberta, crítica, em formação contínua e capaz de realizar unidade na luta, a partir do que consideramos ser uma cultura de autogestão e democracia direta.

Ninguém vai lutar só!

A pós-graduação vai resistir!

Coletiva Centospé,
24 de dezembro de 2018.

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