A paralisação da Odonto e a necessidade de derrubar a EC95

As(os) estudantes do curso de Odontologia da UFSC paralisaram suas atividades entre os dias 25 e 28 de setembro devido às precárias condições estruturais do curso. Em carta, reivindicam um melhor e mais transparente planejamento da aquisição e da gestão dos materiais necessários ao curso, a alteração na planilha de gastos da UFSC com um repasse de verbas adequado às suas necessidades, e reformas que garantam o bom funcionamento da infraestrutura de radiologia, laboratórios, clínicas e centro cirúrgico.

A Centospé apoia a luta do movimento estudantil da Odonto, preocupada com as condições mínimas de funcionamento do curso e, particularmente, com o serviço oferecido gratuitamente à comunidade na Clínica. Sabemos que nos últimos anos todo o orçamento da Universidade vem caindo. Isso ocorre não só por conta de uma deliberada diminuição da verba investida na educação superior no país, desde os governos Dilma, mas também como consequência direta da PEC do teto de gastos aprovada no final de 2016, a Emenda Constitucional (EC) 95. Essa medida impede que o Governo Federal opte por investir mais na educação e na ciência brasileiras, privilegiando os interesses daqueles que lucram com os juros da dívida pública, cujo pagamento não foi restringido pela EC 95.

No segundo semestre de 2016, construímos uma forte mobilização estudantil na UFSC contra as medidas impopulares do Governo Temer, colocando em prática o princípio da ação direta através das ocupações. Lutamos contra o congelamento dos gastos, contra a reforma do Ensino Médio, a reforma trabalhista e da previdência, entre outras muitas medidas que nos atacavam de cima para baixo. Algumas dessas batalhas foram perdidas, outras ganhas através da força do povo nas ruas durante aqueles meses. Formamos militantes e caminhamos na construção de um movimento estudantil mais combativo, na luta por mais direitos e contra os retrocessos.

Passados quase dois anos das ocupações na UFSC, enfrentamos o visível sucateamento da Universidade e destacamos que é impossível enfrentá-lo de verdade sem derrubar a EC 95. Essa situação está explícita na precária e perigosa situação estrutural do CFM, do MArquE, da Moradia Estudantil e da Maloca (moradia para estudantes indígenas), que estão animando outras lutas na Universidade nesse momento. Essa emenda é o que sucateia as clínicas de atendimento e centros cirúrgicos, causa a falta de materiais nos laboratórios e a precariedade cada vez maior das salas onde temos aula. Ela também fecha nossos museus e põe fogo em nossas memórias. Essa emenda faz parte de um projeto amplo de destruição dos serviços públicos: não por acaso, o curso de Engenharia Civil da UDESC de Joinville também teve uma paralisação na última semana.

Ou seja, é preciso que estejamos todas e todos na luta contra a EC 95! Para isso, precisamos voltar nossos esforços para a construção de um movimento estudantil forte, com participação na base e com os métodos de ação direta, como as paralisações e ocupações, acolhendo as lutas autônomas que se somam no caminho.

Por isso, apoiamos a luta das/dos estudantes de Odontologia, assim como a da Engenharia Civil da UDESC/Joinville. Seguimos na luta contra a EC 95 e pelos investimentos públicos necessários para que esses cursos possam servir ao interesse público e popular, para reverter as amarras que nos prendem a um projeto de universidade nefasto: primeiro falida, depois dominada.

PELA DERRUBADA DO TETO DE GASTOS! POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA E POPULAR!

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Coletiva Centospé

Florianópolis, 1º de outubro de 2018

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