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28/05 | Movimento estudantil libertário na luta contra os cortes e a reforma

28 de maio | 19h | Sala 205 do EFI

No dia 15 de maio, estudantes e trabalhadoras da educação construíram uma forte Greve Nacional da Educação. Foram mais de um milhão de pessoas nas ruas de todo o país e muitas milhares tomando as ruas de Florianópolis. Na UFSC, as mobilizações são exemplo de que se inicia um novo momento de levante estudantil. Daqui pra frente, inclusive na greve geral de 14 de junho, precisamos fazer com que a brasa do dia 15 de maio vire uma enorme fogueira de arraiá! Afinal, é através da organização pela base e da ação direta que podemos derrotar o projeto de desmonte da educação pública e também de retirada de direitos, como o projeto da Reforma da Previdência!

A Coletiva Centospé convida todas e todos estudantes para uma conversa sobre como podemos atuar nas lutas de forma libertária através da organização coletiva. Atuamos na UFSC desde 2016, tendo por princípios: autonomia na luta social, autogestão e organização desde a base, anticapitalismo, combate às diferentes formas de opressões estruturais, ação direta, solidariedade de classe e autocrítica.

Vem trocar uma ideia com a gente, no dia 28 de maio às 19h, sobre as formas vencer os ataques dos de cima e avançar na luta por uma universidade popular!

LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

Mais fortes são os poderes do povo!

centospe@riseup.net

centospe.libertar.org

Combater a extrema-direita para além das urnas

Existe uma grande mobilização começando na UFSC contra a extrema-direita, com indícios de que pode tomar a proporção das maiores lutas de nossa história, como as ocupações de 2016.

A última semana começou na UFSC com reuniões organizadas por centenas de estudantes de diferentes cursos e centros. Na segunda-feira (08 de outubro) ocorreram espaços amplos de discussão na Arquitetura, no CED e no CCE, inclusive alguns deles puxados por fora das organizações ou entidades. Em assembleia na quarta-feira (10), as estudantes de Pedagogia decidiram paralisar as atividades do curso até o dia 28 e na quinta-feira (11) as estudantes de Psicologia e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE/UFSC) também anunciaram paralisação. Uma reunião do Conselho de Entidades de Base (CEB) foi convocada para segunda-feira (15) às 12h e vários Centros Acadêmicos já convocaram assembleias para essa semana que se inicia. Além disso, foram criados diferentes grupos de Whatsapp para articular ações, incluindo um chamado à construção de uma Frente Antifascista UFSC, com participação de estudantes, servidoras técnicas e docentes. É a hora de mostrar a indiginação das estudantes contra um projeto racista, autoritário, saudosista da ditadura civil-militar e ultraliberal que ameaça o povo brasileiro e demais povos oprimidos em todo o mundo.

Fora da UFSC, já temos algumas datas marcadas para a resistência. Na segunda-feira (15), às 16h, acontece na Lagoa um cortejo em memória ao Mestre Moa do Katendê, que foi morto por um eleitor de Bolsonaro na Bahia, após uma vida inteira de dedicação para a cultura negra. No dia 20, um ato foi convocado pelas mulheres a partir da mesma articulação do movimento #EleNão, que realizou uma das maiores manifestações da história de Florianópolis duas semanas atrás.

O OBJETIVO DE NOSSA LUTA

O movimento #EleNão surgiu a partir da digna raiva das mulheres com o projeto de sociedade representado por Jair Bolsonaro. Rapidamente, conseguiu mobilizar milhões de mulheres em todo o país, colocando nas ruas uma ação de massas em que estavam juntas uma maioria de mulheres independentes de partidos e os setores mais combativos, atuantes nas lutas sociais dos últimos anos. Apesar da grande influência desse levante nas mobilizações que estão sendo feitas agora, muitas iniciativas estão canalizando toda essa energia em uma campanha eleitoral por Fernando Haddad. Consideramos que esse não é o caminho para as lutas que virão.

Uma mobilização em defesa do candidato Haddad falha ao identificar nosso inimigo apenas como sendo o Bolsonaro. Por trás dessa liderança lamentável, existe um projeto de sociedade apoiado por amplos setores das Forças Armadas e das polícias, por interesses privatistas do mercado financeiro internacional, pelas intenções imperialistas dos EUA na América Latina, além de parte do Judiciário, da grande mídia e de algumas das maiores lideranças religiosas do país. Esses setores conseguiram o voto de 1/3 da população brasileira porque estão há décadas fazendo seu trabalho de base, circulando opinião política e produzindo valores sociais contrários às nossas liberdades de ser e existir, valores de ódio a negros, indígenas, quilombolas, pobres, imigrantes, feministas e tudo que representa, em sua visão, a esquerda e o socialismo. Muitas dessas pessoas estão dispostas a violentar quem tem visões políticas diferentes das suas. Temos que ressaltar que isso não se resolve nas urnas.

Além disso, amplos setores populares não se identificam com o Partido dos Trabalhadores (PT), não apenas pelos argumentos utilizados pela direita, mas também pelos cortes de direitos trabalhistas, pela defesa do agronegócio, pelas mega-obras que trouxeram despejos e destruição ambiental, pelo forte crescimento do encarceramento e morte do povo negro, pela repressão às lutas sociais, entre muitos outros motivos. Por isso, sabemos que uma campanha contra a extrema-direita pode envolver muito mais gente do que uma campanha pró-Haddad ou apenas de horizonte eleitoral.

PROPOSTAS PARA A MOBILIZAÇÃO ESTUDANTIL

A ação estudantil na UFSC deve pautar as paralisações por cursos para formar uma forte mobilização contra a extrema-direita. Ao organizar assembleias, paralisar nossas aulas e promover espaços de discussão, conseguimos tempo para interpretar coletivamente o momento que vivemos e força para agir. Nossas principais tarefas do momento envolvem produzir material, realizar ações de propaganda, criar canais de comunicação entre todas e todos que estão na luta, fortalecer os movimentos sociais e os espaços de resistência que já existem, tomar as ruas em atos e organizar grupos de autodefesa contra a violência que tem sido utilizada pela extrema-direita.

Esse momento histórico exige de nós formas decididas de agir e capazes de responder à altura do risco que corremos. Portanto, durante essas semanas se trata de organização e luta para derrotar a extrema-direita, apostando na ação direta e coletiva como formas de resistir.

Não precisamos e não queremos ficar a reboque da tática do PT. Nossa mobilização também constrói a derrota eleitoral de Bolsonaro, mas precisamos de muito mais do que isso para vencer. O caminho da conciliação com o grande empresariado, com a mídia corporativa, com os filhotes da ditadura civil-militar e com as lideranças religiosas conservadoras já se mostrou inviável para impedir a barbárie que se aproxima agora. É na luta travada hoje, seja na UFSC ou nos demais espaços, que encontramos a base para construir um novo projeto de sociedade a favor do povo, das classes oprimidas. A resistência será mais forte se atuar com independência. Convidamos todas e todos estudantes da UFSC a construir uma forte mobilização de base para enfrentar as ações de ódio, o discurso de extermínio, assim como as medidas neoliberais que ameaçam a Universidade pública. A extrema-direita não vai ser derrotada pelas urnas, mas pela organização popular!

#EleNão!
PARA DERROTAR A EXTREMA-DIREITA, ORGANIZAÇÃO E LUTA!
MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Coletiva Centospé,
Florianópolis, 14 de outubro de 2018

Eleitores do Bolsonaro agridem uma estudante da UFSC

Na última quinta-feira, dia 11 de outubro, uma de nossas militantes foi agredida por dois eleitores de Bolsonaro nas proximidades da UFSC. Ela pedia carona na entrada do Córrego Grande, na esquina do Restaurante Dona Benta, onde entrou no carro (Corsa prata, placa não identificada) e seguiu no sentido Lagoa da Conceição, por volta das 18h40. Eram dois jovens brancos, ambos com aproximadamente 27 anos de idade, por volta de 1,75 e barba comprida com cabelos escuros, estilo coque samurai

Depois de rodarem alguns minutos, os agressores perguntaram se ela havia votado no Bolsonaro. Ao dizer que não havia votado e que não concorda com o que o candidato representa, eles a xingaram com violência, inclusive enquanto ela afirmava que também não votava no PT. Após isso, eles a arremessaram com violência para fora do carro, nesse momento parado, fazendo com que o impacto rasgasse sua calça na região dos joelhos e machucasse essa região, assim como as mãos.

Sabemos que, assim como dezenas de outras histórias de violência realizadas por defensores de Bolsonaro, essa pode ser respondida com descrédito e informações falsas. Essa ação sistemática de negação serve apenas para aqueles que não querem acreditar ou admitir a violência legitimada pelos discursos desse candidato. A verdade é que os discursos de sua campanha estimulam o ódio e o extermínio.

Iniciativas de mapeamento da violência dos eleitores de Bolsonaro indicam dezenas de casos por todo o país (aqui, aqui, aqui e aqui), como o assassinato do Mestre Moa do Katendê na primeira noite pós primeiro turno, representante da cultura negra e popular do país. Muitas e muitos de nós já acompanhamos de perto essa violência, que vem atingindo pessoas próximas a nós.

Chamamos todas e todos para terem cuidado. Militantes de esquerda, feministas, todas as pessoas LGBTI+, todo o povo negro, indígena, imigrantes ou qualquer pessoa que se oponha a Bolsonaro. Porém, mais do que cuidado, recomendamos força. Precisamos construir redes de apoio e grupos para práticas de autodefesa, nos mantendo de pé a partir da coletividade. Não iremos nos calar e nem vamos nos esconder! Cada ameaça e cada violência da extrema-direita será respondida com mais disposição para a luta, mais vontade de tomar as ruas, mais dedicação para a organização popular.

#EleNão!

PARA DERROTAR A EXTREMA-DIREITA, ORGANIZAÇÃO E LUTA!
MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Coletiva Centospé,
Florianópolis, 14 de outubro de 2018.

A paralisação da Odonto e a necessidade de derrubar a EC95

As(os) estudantes do curso de Odontologia da UFSC paralisaram suas atividades entre os dias 25 e 28 de setembro devido às precárias condições estruturais do curso. Em carta, reivindicam um melhor e mais transparente planejamento da aquisição e da gestão dos materiais necessários ao curso, a alteração na planilha de gastos da UFSC com um repasse de verbas adequado às suas necessidades, e reformas que garantam o bom funcionamento da infraestrutura de radiologia, laboratórios, clínicas e centro cirúrgico.

A Centospé apoia a luta do movimento estudantil da Odonto, preocupada com as condições mínimas de funcionamento do curso e, particularmente, com o serviço oferecido gratuitamente à comunidade na Clínica. Sabemos que nos últimos anos todo o orçamento da Universidade vem caindo. Isso ocorre não só por conta de uma deliberada diminuição da verba investida na educação superior no país, desde os governos Dilma, mas também como consequência direta da PEC do teto de gastos aprovada no final de 2016, a Emenda Constitucional (EC) 95. Essa medida impede que o Governo Federal opte por investir mais na educação e na ciência brasileiras, privilegiando os interesses daqueles que lucram com os juros da dívida pública, cujo pagamento não foi restringido pela EC 95.

No segundo semestre de 2016, construímos uma forte mobilização estudantil na UFSC contra as medidas impopulares do Governo Temer, colocando em prática o princípio da ação direta através das ocupações. Lutamos contra o congelamento dos gastos, contra a reforma do Ensino Médio, a reforma trabalhista e da previdência, entre outras muitas medidas que nos atacavam de cima para baixo. Algumas dessas batalhas foram perdidas, outras ganhas através da força do povo nas ruas durante aqueles meses. Formamos militantes e caminhamos na construção de um movimento estudantil mais combativo, na luta por mais direitos e contra os retrocessos.

Passados quase dois anos das ocupações na UFSC, enfrentamos o visível sucateamento da Universidade e destacamos que é impossível enfrentá-lo de verdade sem derrubar a EC 95. Essa situação está explícita na precária e perigosa situação estrutural do CFM, do MArquE, da Moradia Estudantil e da Maloca (moradia para estudantes indígenas), que estão animando outras lutas na Universidade nesse momento. Essa emenda é o que sucateia as clínicas de atendimento e centros cirúrgicos, causa a falta de materiais nos laboratórios e a precariedade cada vez maior das salas onde temos aula. Ela também fecha nossos museus e põe fogo em nossas memórias. Essa emenda faz parte de um projeto amplo de destruição dos serviços públicos: não por acaso, o curso de Engenharia Civil da UDESC de Joinville também teve uma paralisação na última semana.

Ou seja, é preciso que estejamos todas e todos na luta contra a EC 95! Para isso, precisamos voltar nossos esforços para a construção de um movimento estudantil forte, com participação na base e com os métodos de ação direta, como as paralisações e ocupações, acolhendo as lutas autônomas que se somam no caminho.

Por isso, apoiamos a luta das/dos estudantes de Odontologia, assim como a da Engenharia Civil da UDESC/Joinville. Seguimos na luta contra a EC 95 e pelos investimentos públicos necessários para que esses cursos possam servir ao interesse público e popular, para reverter as amarras que nos prendem a um projeto de universidade nefasto: primeiro falida, depois dominada.

PELA DERRUBADA DO TETO DE GASTOS! POR UMA UNIVERSIDADE PÚBLICA E POPULAR!

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Coletiva Centospé

Florianópolis, 1º de outubro de 2018

Dez dias após os crimes na UFSC, continuamos sem respostas

Na madrugada de quinta (16) para sexta-feira (17 de agosto) uma pessoa em situação de rua foi brutalmente atacada enquanto dormia próximo ao Centro de Desportos (CDS-UFSC). Se não bastasse a violência sofrida durante a madrugada, a pessoa demorou mais de doze horas para receber socorro e ser encaminhada ao hospital, mesmo após cruzar o campus universitário entre passos e desmaios. O que aconteceu na UFSC foram dois crimes: um crime de ódio com violência física, cometido por pessoas ainda não identificadas; e omissão de socorro por parte da Universidade, em um total descaso com a vida humana.

Na última quarta-feira (22 de agosto), o Movimento Nacional de População de Rua (MNPR-SC) esteve presente na UFSC em um ato no qual somaram inúmeras estudantes em busca de respostas e uma posição da Reitoria sobre o acontecido. Depois de uma mobilização no Varandão do Centro de Comunicação e Expressão (CCE), o ato rumou até o Gabinete da Reitoria para que uma carta  com reivindicações frente à posição omissa e criminosa da instituição – fosse entregue em mãos para o reitor Ubaldo Balthazar. Entre as ações a serem tomadas pela instituição estão a identificação dos agressores, as reparações à pessoa agredida, identificação dos responsáveis pela omissão de socorro da Universidade, além de formações e campanhas a toda a comunidade no combate às violências cometidas no campus contra populações oprimidas. 

No entanto, funcionários da Reitoria noinformaram que o reitor não tem horário de retorno de seu almoço e, até o horário em que estivemos presentes, por volta das 15h, ele não havia chegado. O Chefe de Gabinete, Áureo Moraes, nos recebeu transparecendo uma tranquilidade que não condiz com o crime cometido pela instituição, oferecendo apenas o prazo de começo de setembro para uma possível reunião com o MNPR-SC para responder às demandas.

A omissão de socorro é prevista em lei como crime e poderia ter levado o senhor agredido à morte, tamanha a seriedade do ataque que sofreu. Mesmo estando dentro do campus, a menos de um quilômetro do Hospital Universitário, não houve nenhuma ação do HU para buscá-lo ou atendê-lo onde estava. O SAMU, responsável pelo atendimento de urgências médicas, se negou repetidamente a atender o caso, chegando ao ponto de pedir para que as pessoas parassem de ligar para lá.

Além disso, mesmo com a presença de dezenas de trabalhadores e mais de mil de câmeras do Departamento de Segurança Física e Patrimonial (DESEG) por todo o campus universitário, foi necessária a presença de uma estudante que se indignou com a situação para que, aos gritos, conseguisse convencer os seguranças da DESEG levar a pessoa ferida até o HU. Essa é a mesma DESEG que, ano passado, já agrediu pessoas que vivem na UFSC e retirou todos os pertences de uma pessoa na semana mais fria do ano. Essa segurança só consegue enxergar as pessoas em situação de rua quando é para tratá-las de forma violenta ou para expulsá-las do campus, implementando uma política de limpeza social no espaço da Universidade

É para a segurança de que tipo de Universidade que a Reitoria instrui a DESEG? Nós lutamos em favor de uma Universidade do povo e para o povo, capaz de reconhecer as pessoas em situação de rua e garantir seus direitos humanos básicos, começando por sua vida. Por isso, repudiamos as contínuas ações da DESEG contra essa população e exigimos que a UFSC reformule sua política de segurança, bem como responsabilize os responsáveis por essa omissão e pelas demais violências, na figura do Secretário de Segurança Institucional, Leandro Luiz de Oliveira, diretor e responsável pela atuação da DESEG. 

Não esqueceremos o crime de ódio que aconteceu na semana retrasada nem deixaremos que o crime de omissão de socorro por parte da Universidade passe despercebido. A UFSC e sua segurança devem responder por sua omissão! De agora em diante, exigimos que a Universidade se posicione de forma a acolher as pessoas em situação de rua e sua luta por direitos!

OMISSÃO DE SOCORRO É INACEITÁVEL!
PELO DIREITO À VIDA E DIGNIDADE DA POPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA!
POR UMA UNIVERSIDADE POPULAR!

 

Coletiva Centospé,
27 de agosto de 2018. 

 

MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Carta aberta ao Movimento dos Atingidos por Barragens – SC

A Coletiva Centospé construiu diferentes ações junto ao Movimento dos Atingidos por Barragens de Santa Catarina (MAB-SC) desde 2017. Nossa relação política e afetiva com o povo atingido por barragens existe desde antes de nosso surgimento enquanto coletiva, quando algumas de nós já haviam realizado estágio junto ao MAB-SC através do Estágio Interdisciplinar de Vivências (EIV-SC). No último ano também participamos do Encontro Nacional do MAB no Rio de Janeiro, dedicamos esforços junto ao movimento na mobilização do Fórum Mundial Alternativo da Água e participamos da construção do EIV-SC. Nesse momento, comunicamos ao MAB-SC que decidimos por não manter mais o vínculo de aliança entre o movimento e nossa coletiva.

Consideramos que as posições do MAB e da Via Campesina nos debates sobre o EIV-SC 2018 foram inaceitáveis e nos colocamos em solidariedade à antiga Comissão Político-Pedagógica (CPP), que lutou durante todo o ano de 2017 para a construção do estágio, mas teve sua realização impedida em cima da hora pela Via Campesina. Além disso, a CPP não recebeu explicações honestas sobre as intenções desse cancelamento, nem teve suas posições ouvidas e consideradas durante o processo de rediscussão do estágio, levando ao afastamento de todas as militantes independentes do EIV-SC.

Sabemos que, independente disso, estaremos lado a lado em muitos outros processos de luta e desejamos força na disputa pelos direitos do povo atingido pelas barragens e por um projeto energético popular e anticapitalista.

Coletiva Centospé

Florianópolis, 16 de julho de 2018

Nota de apoio aos alunos bolsistas do Colegiado do Curso de Cinema da UFSC

O curso de graduação em Cinema da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC repudia os cortes das bolsas permanência, especialmente os que atingem alunos indígenas e quilombolas. Estes cortes, promovidos pelo governo golpista, estão obrigando centenas de alunos a desistirem de cursar o ensino superior.

Os alunos, professores e servidores-técnicos do curso de Cinema da UFSC estão inconformados com esta situação e conclamam que outros setores da UFSC tomem posição sobre esta brutalidade cometida contra os mais frágeis e, ao mesmo tempo, os que mais promovem a possibilidade de diversidade cultural na Universidade. Salientamos que a UFSC é uma referência no Brasil na incorporação de estudantes indígenas e que devemos ser uma das primeiras a reagir perante este retrocesso, lembrando que o governo ilegítimo está em pleno processo de desmonte do Ensino Público.

Colegiado do Curso de Cinema da UFSC

Carta de Apresentação

Na construção da resistência contra aqueles que nos atacam de cima, muitos pés são necessários. Uma centopeia articula todos os seus pés em passos sincronizados: é a união rumo a um horizonte comum que a permite caminhar. Muito parecida com esse animal, temos a figura da Bernunça: muitos pés que dão força para engolir tudo aquilo que se coloca em seu caminho. Inspiradas pela natureza e cultura popular catarinense, entendemos a força que temos resistindo articuladas contra os poderosos. Sentaremos o pé em quem nos explora e oprime, quantos pés forem necessários para derrubá-los!

Em um cenário de retirada de direitos, em meio às ocupações estudantis do final de 2016, surge a Coletiva Centospé. Somos fruto daquela rebeldia estudantil que marcou o país, insurgência que semeou novas concepções e práticas para a luta popular. Em nosso primeiro esforço coletivo de análise de conjuntura, em dezembro de 2016, já nos apontamos a tarefa de usar “todos os nossos esforços contra a raiz de nossos problemas e não seus galhos podres”, nos recusando a fazer luta estudantil para servir a estratégias eleitorais ou projetos de conciliação com nossos inimigos de classe.

Para isso, a Centospé se organiza e luta a partir destes princípios:

autonomia do grupo e o compromisso coletivo com os acordos e decisões internas, sem permitir que os rumos de nossas mobilizações sejam escolhidos por reitorias e direções, partidos políticos, interesses do capital privado ou grupos que querem falar em nome da luta social. Enquanto parte do povo, resistimos lado a lado aos demais setores oprimidos da sociedade.

A autogestão, onde todas as decisões são tomadas coletivamente, com diálogo e sem cargos hierárquicos, princípio que defendemos em todos os espaços do movimento estudantil, assim como a construção pela base, dedicando esforços nas salas de aula, nos cursos e na construção das entidades de base como espaços para mobilizar as lutas.

autocrítica como prática interna permanente, uma ferramenta de aprendizado político e também uma responsabilidade externa com o movimento estudantil.

anticapitalismo, tendo em vista que a base desse sistema é a exploração de poucos sobre muitos, fazendo-se possível somente com a propriedade privada e a desigualdade social. Além disso, o momento de perdas de direitos contra o qual resistimos é consequência do avanço de políticas neoliberais, próprias do sistema capitalista.

combate às múltiplas formas de opressões estruturais, como o racismo, o machismo, a transfobia e a LGBfobia, reconhecendo também que há necessidade de visibilizar e combater outras formas de opressão.

ação direta, que significa nos colocar enquanto sujeitos e fazer com nossos próprios pés a nossa luta e resistência, assim como a solidariedade de classe com trabalhadoras, trabalhadores e demais setores que resistem à dominação e opressão.

Atualmente, a Centospé aglutina estudantes da UFSC em Florianópolis, construindo três pés de mobilização de base: na Biologia, na Pós-graduação e na Solidariedade campo-floresta, além de somar esforços nos comandos de mobilização e nos atos de rua da cidade. Convidamos estudantes que tenham afinidade com nossas práticas e princípios para militarmos juntas, em todos os cursos, por um movimento estudantil forte, construído na base, nas lutas por acesso, permanência e nas reivindicações de estudantes que enfrentam opressões estruturais. Lutar, por fim, na disputa por uma Universidade que sirva aos interesses do povo e lutar junto aos outros setores das classes oprimidas dentro e fora das Universidades.

CENTOSPÉ CONTRA OS DE CIMA!
MAIS FORTES SÃO OS PODERES DO POVO!

Agosto de 2017
https://centospe.wordpress.com/